O Jornalismo Declaratório e sua Incoerência

Ontem estive presente no segundo dia da IV semana de Jornalismo da UFRJ, chamada de Meio a Meios. O Jornalismo político foi o assunto do dia, e estavam presente na mesa de debates: A mediadora, jornalista e coordenadora da CPM/Eco, Cristina Rego Monteiro, Leando Colón, jornalista do Estadão, Felipe Vaz, coordenador de mídias sociais da campanha a presidência de Marina da Silva, Ricardo Noblat, um dos principais jornalistas dO Globo e dono do blog mais acessado do portal do jornal, Carlos Lungarzo, representante da anistia internacional e Laurindo Lalo Leal, professor da USP (Universidade da minha sumida colaboradora!).

Apesar do caloroso debate de ideias, o que mais me chamou atenção foi a declaração de Noblat sobre os rumos do jornalismo contemporâneo. Segundo ele, três práticas contribuem para a diminuição da qualidade da informação: o chamado jornalismo declaratório, coberturas superficiais de agendas oficiais e debates de ideias, como o político, com pouca ou nenhuma flexibilidade de regras.Noblat não foi específico quanto a qual tipo de jornalismo ele estava se referindo. Mas é possível perceber essa tendência em quase todos as ramificações da profissão, principalmente quando falamos sobre jornalismo declaratório. Nada além do que fazer uma matéria ou notícia, baseada em uma declaração de algum figurão da política ou de outro meio importante, quando a declaração em si deveria apenas servir de apoio para o assunto principal.

Tomemos a eleição presidencial desse ano como exemplo, a única cobertura era acompanhar os candidatos em sua agenda oficial, a imprensa apenas importou-se com o ambiente criado pelos marqueteiros, talvez pela facilidade com a qual a notícia estava exposta, e com a tamanha repercussão que fatos superficiais causavam. Ou pela avidez por notícia imposta pela internet, que não permite uma apuração profunda, tudo em prol da quantidade.

Outro ponto interessante é analisar o organização dos debates. Infelizmente tivemos um modelo rígido e entupido com regras que impossibilitavam o debate, tornando o encontro uma mera continuação do horário eleitoral, que no fundo também não falavam nada de interessante. Ou seja, continuação do inútil.

Podemos avaliar que a falta de debates realmente políticos foi, na maior parte, culpa da própria imprensa. Não por falta de capacidade, acredito que ainda estamos passando por uma época de transição, e os jornalistas ainda não aprenderam a usar, e a atender as demandas geradas pela internet. Resta esperar, e a nós jornalistas trabalhar, para encontrar um meio de intercessão entre os interesses da população e a demanda gerada pela grande rede. Quanto a nós, internautas, devemos entender que a qualidade é imensamente mais importante que a quantidade

Linkpédia:

Meio a meios
Blog do Noblat
Estadão
Anistia Internacional
Marina Silva – Site oficial

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